domingo, 31 de julho de 2011

Nunca li Bukowski.

Não foi uma pergunta que ele me fez, quando dizia pra mim o quanto gostava do que eu escrevia, não, ele praticamente afirmou você lê Bukowski, pedindo para que eu confirmasse não lê? Eu disse que tinha lido um conto só, chamado A mulher mais linda da cidade, porque um cara transcreveu esse conto em seu blog, o conto em que o nome da personagem principal é Cass, ou o autor do blog a chamou de Cass por, talvez, ter uma Cass na cabeça, pelo o quê, de forma alguma, eu o repreenderia, e ainda, eu o entenderia, mas o fato é que foi só esse conto do Bukowski que eu li e tantas vezes tantas pessoas me dizem você lê Bukowski, não lê? Pois eu continuei dizendo a ele que eu lia muitas coisas e muita gente, mas não Bukowski, e não tinha exatamente uma preferência, uma referência, uma inspiração ou um autor favorito. E segui explicando que tudo vem como um quadro de colagens de uma notícia de jornal com um dia em que o tempo virou e a memória da poesia adolescente. E tem dias que simplesmente não há inspiração.

E ele me olhava como se quisesse mergulhar dentro de mim.

De repente tudo começou a ficar mais tenso. Vontade não convive muito bem com falta de jeito, caráter e uma tentativa bem sucedida de bom mocismo. E não foi na areia da praia que um baseado queimou, não houve beijo e restou a necessidade infinita das mãos dadas até o amanhecer. As palavras fluíam e no momento seguinte era como se eu fosse uma atriz representando e o diretor tivesse cortado a cena. Ficou tudo ali, como se não tivesse existido, ciclo que não fecha, sou mulher e só entendo assim. Ciclos. Gosto de finais. Voltei pra casa insatisfeita. E ele, sem meu cheiro e apenas uma amostra grátis do meu corpo, ficou, foi, bem, dele eu não sei mais.

6 comentários:

Cassiana disse...

ela chama mesmo cass, a moça do conto... que coisa né?

Maria disse...

se eu transcrevesse contos, eu trocaria os nomes das personagens por cass. mas só das melhores.

Vampira Dea disse...

Bem se leu ou não leu o que ele buscava? Se apoiar na possível semelhança entre personagens e realidade? a vida real nunca é tão simples como nos contos...

Surfista disse...

Pois leia! Divertidíssimo! Parece um roteiro do Tarantino.

Rafael Paschoal disse...

Ainda bem que você não lê Paulo Coelho.

Alline disse...

Li, leio, lerei o velho Buk. Ácido, cru, rebelde, insano.