Nunca li Bukowski.
Não foi uma pergunta que ele me fez, quando dizia pra mim o quanto gostava do que eu escrevia, não, ele praticamente afirmou você lê Bukowski, pedindo para que eu confirmasse não lê? Eu disse que tinha lido um conto só, chamado A mulher mais linda da cidade, porque um cara transcreveu esse conto em seu blog, o conto em que o nome da personagem principal é Cass, ou o autor do blog a chamou de Cass por, talvez, ter uma Cass na cabeça, pelo o quê, de forma alguma, eu o repreenderia, e ainda, eu o entenderia, mas o fato é que foi só esse conto do Bukowski que eu li e tantas vezes tantas pessoas me dizem você lê Bukowski, não lê? Pois eu continuei dizendo a ele que eu lia muitas coisas e muita gente, mas não Bukowski, e não tinha exatamente uma preferência, uma referência, uma inspiração ou um autor favorito. E segui explicando que tudo vem como um quadro de colagens de uma notícia de jornal com um dia em que o tempo virou e a memória da poesia adolescente. E tem dias que simplesmente não há inspiração.
E ele me olhava como se quisesse mergulhar dentro de mim.
De repente tudo começou a ficar mais tenso. Vontade não convive muito bem com falta de jeito, caráter e uma tentativa bem sucedida de bom mocismo. E não foi na areia da praia que um baseado queimou, não houve beijo e restou a necessidade infinita das mãos dadas até o amanhecer. As palavras fluíam e no momento seguinte era como se eu fosse uma atriz representando e o diretor tivesse cortado a cena. Ficou tudo ali, como se não tivesse existido, ciclo que não fecha, sou mulher e só entendo assim. Ciclos. Gosto de finais. Voltei pra casa insatisfeita. E ele, sem meu cheiro e apenas uma amostra grátis do meu corpo, ficou, foi, bem, dele eu não sei mais.
6 comentários:
ela chama mesmo cass, a moça do conto... que coisa né?
se eu transcrevesse contos, eu trocaria os nomes das personagens por cass. mas só das melhores.
Bem se leu ou não leu o que ele buscava? Se apoiar na possível semelhança entre personagens e realidade? a vida real nunca é tão simples como nos contos...
Pois leia! Divertidíssimo! Parece um roteiro do Tarantino.
Ainda bem que você não lê Paulo Coelho.
Li, leio, lerei o velho Buk. Ácido, cru, rebelde, insano.
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