Houve um pequeno incidente de trânsito e Isabel foi chamada à depor. O juiz informa à senhora Isabel que ela deverá narrar os fatos tal como presenciou e que deverá dizer a verdade.
- Então, dona Isabel, o que foi que a senhora viu? Relate para nós os fatos aqui nesta audiência.
- Sabe, Excelência, eu não vi. Eu não vi nada. Quando vi, pum, já tinha batido.
- Mas como, dona Isabel, a senhora não estava parada esperando para atravessar na faixa de pedestres? Como a senhora diz que não viu?
- Sim, estava na faixa do sinal. Mas eu não vi. Estava no automático, olhando para sinal de pedestres, porque a vida, Excelência, a vida é assim. Nem prestando atenção eu estava. É tudo no automático. Verde, vermelho, verde, vermelho...
- Sim, dona Isabel, mas a senhora não percebeu ao menos se o carro da frente parou bruscamente ou não, se o carro de trás guardava a distância necessária?
- Não Excelência. Eu olhava para o sinal e pensava no poema do Pedro. Por isso nem no sinal eu prestava atenção. O Pedro é um amigo, que escreve poesias lindas, e eu não vejo o Pedro há tanto tempo, e nesta tarde ele me mandou uma poesia tão perfeita e eu só pensava na poesia do Pedro. Por isso não vi nem carro da frente, nem carro de trás, liguei o automático da vida, vermelho pra mim, verde pode atravessar, porque sabe, quando tem um sinal dizendo se você pode ou não pode ir, fica tudo tão mais fácil...
5 comentários:
E pra quê prestar atenção no que estava feio se tinha os poemas lindos do Pedro, uê.
Sou péssima decifrando sinais,por isso VOU quando quero ir, simples assim.
Às vezes dá certo, às vezes não, o importante é não ficar pensando no maldito "e se..."
É tão mais fácil mesmo quandpo temos o verde/vermelho, o pare/siga... Daí a gente só se preocupa com "as coisas bonitas", e o resto segue no automático!
Parabéns Maria!
anônimo, quem és tu? rs
dita, às vezes é atropelada... rs
vampira, tão mais lindos ;)
Belíssimo conto, Maria!
Passou até um filminho na minha cabeça!
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