domingo, 1 de maio de 2011

o futuro do pretérito

Da mesma forma que construo (ai, Deus, tantos!) meus quartos fechados, pequenos espaços de tempo em que comprimo momentos vividos, palavras, aquela flor dentro do livro, aquele desenho no guardanapo, olhares, lágrimas, tudo ali só para eu olhar de vez em quando, só olhar, porque ter memória é importante quando se vê valor nas coisas, da mesma forma, eu não construo. Às vezes deixo... as reticências. Deixo tudo ali, tijolos, vigas, a porta, a fechadura, algumas palavras, algumas lembranças e olho para elas do mesmo jeito. Eu dou valor. Sim, eu dou. E não foi por medo que isso aconteceu, nem descaso. Eu só... não quis. E com isso a causa por não ter sido, por ter ficado tudo assim meio vago, meio morno, meio "então, até qualquer dia" e eu sei que eu não vou construir nada e até vai ficar a vontade daquilo que não foi, porque eu, é, eu deixei. Atravessei a rua, o sinal abriu, o céu se fechou de nuvens, a chuva não veio e tudo continuou exatamente no lugar onde estava. Eu dormi, você acordou em outra cidade. Não foi ilusão. Eu só quis ser a tua... reticência.

6 comentários:

Alguém disse...

Já leu Comer,Rezar e Amar ? É bobinho,eu sei,mas você me lembra a "mochilão" de tanta coisa que carrega em si.
Tente uma vez deixar as coisa irem,jogue fora as lembranças,as músicas,os poemas,as fotos,abre espaço para que coisas novas possam entrar,pode ser bom, pode ser mágico,pode ser libertaDOR!

Maria disse...

hahahaha, já li sim aquela tortura.

os quartos fechados não me prendem. porque eu não me tranco dentro deles. e nem ponho dentro o que não presta.

agora, deixar as coisas irem, eu deixo muitas vezes. muitas. como a que eu acabei de contar aí no texto, por exemplo... volta lá e lê.

Maria disse...

e pensando bem...

(olha como esse povo me faz refletir)

eu acho que EU, mariamélia, só tenho dois quartos fechados.

porque não é pra qualquer um, sabe?

são duas pessoas com quem criei "códigos".

Leonardo Cohen disse...

Eu sou partidário de que tudo precisa ter um ponto final, mas ao mesmo tempo é complicado ficar se desgastando em busca de respostas que nem sempre aparecem.

Por conta disso, é melhor deixar as coisas irem mesmo e tentar tocar a vida da melhor forma possível.

De repente eu deixei de ser dela também, de surpresa, de repente.

Pra mim o pior não foi deixar as reticências, mas saber que ali era o ponto final de fato.

susane disse...

o cohen tem uma música, Susane, que toca num filme, Salvador, e a cena quando toca essa música é uma das cenas românticas MAIS LINDAS que eu já vi.
uhun
vale a pena
vou achar e te mandar, e vai ser um elemento só nosso, do nosso quarto, se ele existir.
tá?

Polly Di disse...

E isso é tão caro.