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Fim de madrugada, tem um cigarro? Frio. Maquiagem borrada nos olhos, o perfume misturado com o cheiro de todas as horas desde que saiu de casa, decadência de glamour sentada na calçada, corpos juntos, jeans úmidos pelo sereno, ele abre a carteira, ainda resta um cigarro. Põe na boca, acende, tragada forte, assopra, fumaça na luz do poste. Entrega na mão dela, fria, nossa, como você está gelada, e ela, um sorriso, meio sem graça, olhos no cigarro, brasa vermelha viciante, bate a cinza daquele jeitinho com o polegar, perde o olhar na rua para logo em seguida olhos nos olhos de novo, vou te abraçar porque você está tremendo. Disseram que esta noite vai chover meteoros, depois das três, deve estar na hora. Começa um sereno mais forte quase chuvisco, deixa o meteoro pra outro dia. Gosto tanto da fumaça que sai da ponta da brasa, vermelho aceso no cinza do asfalto, cinza fumaça, luz azul do poste.
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inspirado em...
e em...
e noites de meteoros...
6 comentários:
viva a decadência (o verdadeiro glamour), viva o asfalto o frio e o fogo e as cores cinzas (infinitos tons de cinza)
e os meteoros pra cobrir uma cena que só podia ser linda, linda linda
Não fumo, mas não sei pq adoro um beijo com gosto de cigarro, sou estranha rsrsr, agora vc tá estranha pacas, que história é essa de meteoros de amor, tá contaminada com alguma coisa?
Beijos.
Você contando assim eu já posso ver a cena...
divide um comigo?
vocês nem sabem... vi um meteoro ontem enquanto dirigia, na estrada, à noite, voltando pra casa.
Um microconto noir da Maria.
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