A minha prática, geralmente, é ler o livro e passar pra frente. Não tendo sido presente, dificilmente os poucos livros que eu compro (meus pais são consumidores ávidos de livros, aí nem me preocupo muito em comprar) vão parar na estante.
Então esses dias eu conversando com um aluno muito querido que vem andando comigo até a minha casa todos os dias depois da aula, falando nem me lembro do que, toquei no nome do Vargas Llosa e ele me disse que nunca tinha lido nada dele. Aí resgatei o Travessuras da Menina Má e dei de presente pra ele. Isso foi numa segunda feira. Ele sempre me disse que gostava muito de ler, que adora biografias e eu não tinha idéia de quanta verdade havia nisso.
Na quarta feira encontrei com ele novamente e ele me disse que não tinha dormido porque tinha adorado o livro e passou aquela noite inteira lendo. Eu estava indo pro cinema e ele, pra variar, foi comigo, comentando detalhes do livro dos quais eu mal me lembrava. Ele realmente tinha lido, sei lá, umas 300 páginas de letra miúda numa noite, coisa que eu acho que nunca fiz. Aí eu senti uma felicidade tão grande com isso, sabe? E no decorrer da conversa ele falou de Cervantes e eu morri de vergonha porque nunca li Dom Quixote, nem o adaptado da Série Reencontro, que é o livro preferido dele (e também de um dos meus "preferidos").
Aí hoje eu fui assistir ao documentário "Lixo Extraordinário", sobre um trabalho que o Vik Muniz fez junto com os catadores do aterro sanitário Jardim Gramacho (que aliás, foi desativado esses dias) e no filme o Vik fala que uma coisa que ele não gosta nos brasileiros é essa coisa "classista" que a gente tem de achar que os outros são menos que a gente (não sei reproduzir exatamente o que ele diz, mas é mais ou menos isso), duvidando da capacidade dos outros que estão numa "classe" abaixo da nossa (seja social, intelectual, whatever).
E aí eu totalmente me incluí na observação do Vik, porque é isso mesmo, não adianta negar. Mas depois eu percebi que estou rodeada de tanta gente foda (eu falo aqui, principalmente dos meus alunos) e, sei lá, me deu um alívio saber disso, ou me tocar disso, talvez seja a expressão melhor.
E agora não tem jeito, eu vou ter que ler Cervantes.
E só mais uma coisa: Sebastião, #pegael!
6 comentários:
um dia num bar eu resolvi conversar com um cara 'chato', que 'só tava ali pra encher o saco', pra cantar as meninas, e ele era feio.
blá blá blá
se ele fosse gostoso teria tido a chance de sentar na mesa e tomar umas com a gente mas ele era chato feio e já chegou com a 'abordagem' errada. enfim.
conversamos um tempão.
e esse cara me contou coisas do passado dele que me fizeram pensar tanto que ontem eu resolvi e mudei o tema da minha monografia baseada no que ele me falou. o que eu quero dizer é que isso foi realmente importante pra mim.
e o teu post me fez lembrar aquele cara lá da lapa e acho que eu não tinha te contato as coisas que ele falou mas eu vou te contar. pessoalmente rss
e a gente sempre aprende alguma coisa, com qualquer pessoa, é só deixar.
adorei esse post.
beijo
dois
fato.
mas eu não menosprezo bêbados chatos. eu apenas os ignoro.
até mesmo os amigos.
não sou madre teresa.
e desisto (de vez) dessa coisa de conversar pessoalmente!
aaaaaaaai, lembrei que eu ando desistindo muito fácil das coisas, PRECISAMOS conversar sobre isso pessoalmente POR FAVOOOOOOOOR!!!
[justo agora que falta tão pouco......]
=D
Coincidência ou não,depois do seu post ouvi falar de Llosa num almoço interessante de sexta e sábado ganhei (de uma outra pessoa)
o livro "Elogio da Madrasta"-incursão bem humorada e sutil de Llosa na literatura erótica.
Sobre o Vik, incrível como às vezes parece que a pessoa nasceu e viveu toda uma vida para um determinado momento,lindo!!!!
Se insistir muito, não converso nunca mais.
Dita, eu gostei mais do Elogio da Madrasta do que do Travessuras. Mas este nem chegou a ir pra minha estante. Comprei, li e passei pra frente.
Depois das pílulas de alegria vencidas, as pílulas da vida real. Justo!
Bom, eu me apego aos meus livros. Dificilmente eu me desfaço deles. Minhas prateleiras e gavetas estão lotadas, mas eu ainda sofro quando preciso me livrar de alguns títulos. Gosto dos meus livros antigos. De reabri-los e reencontrar passagens ou personagens como quem revê velhos amigos. Sou antiquado e materialista. Fazer o quê, né?
Ah, o carnaval deve ser por aqui mesmo. E tu, colombina?
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